Pai exemplar: luta de Adolfo Guidi sensibilizou até mesmo a justiça

Não é necessário entrar em um debate para concordar que é comum a um brasileiro ser assolado pela sensação de que “neste país, não há justiça”. Independente de todos os argumentos em defesa desta afirmação, muitas vezes a população acaba atribuindo uma imagem negativa à justiça brasileira (não sem motivos). Acontece que a história de Adolfo Guidi é um exemplo no qual a justiça teve uma sensibilidade assustadora.

Em 2001, Vitor, filho de Adolfo, foi diagnosticado com uma rara doença denominada Gangliosidose Gm1 cuja principal característica é a escassez de uma enzima crucial para que as células cerebrais sejam repostas.

Diante do baque, contrariando as comuns atitudes de homens que deixam os filhos para as mães cuidarem, Adolfo não pensou duas vezes antes de abandonar o emprego para poder dedicar-se inteiramente ao filho Vitor.

Apesar das boas intenções, a decisão de Adolfo teve consequências: sem emprego, ele não conseguiu dar conta de arcar com o valor das prestações de um financiamento imobiliário que ele havia contratado junto à Caixa.

Quando uma luz de esperança surgiu e a situação, de maneira geral, começou a melhorar, Adolfo colocou-se em busca de um emprego, mas não obteve sucesso. E a dívida ia aumentando. Ele resolveu aproveitar sua formação em engenharia mecânica e improvisou um negócio próprio, uma oficina no quintal de casa. Mesmo assim, seus esforços não foram suficientes para contornar a situação e a dívida estava enorme.

Foi aí que a justiça, personificada na figura da juíza Anne Karina, resolveu perdoar toda a dívida. Segundo a juíza a decisão foi inspirada na atitude do pai de priorizar a vida do filho e no bom senso, pois, se ele perdesse o imóvel, além de ficar sem moradia perderia sua única fonte de renda, a oficina.

Sendo assim, apesar da descrença da população brasileira acerca da justiça, este caso abre precedentes para uma avaliação mais humana de cada caso.

 

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